quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Poder econômico e inspiração artística no Renascimento

A partir da Baixa Idade Média a sociedade europeia quase em sua totalidade passou a sofrer mudanças organizacionais e econômicas, e tais mudanças levaram a população à realidade do Renascimento, em que os burgos adquiriam poder, a Igreja perdera parte de sua soberania e os comércios passaram a ser mais relevantes em relação ao antigo sistema em que a agricultura era o principal meio de sobrevivência.
Tais mudanças influenciaram as diferentes classes sociais e deram ênfases diferentes ao poder econômico. Se na maior parte da Idade Média obtinham poder aqueles que possuíam terras, os nobres e clérigos, o que tornava o povo submisso e sem condição alguma ascensão, no Renascimento o poder estava nas mãos dos comerciantes e daqueles que buscavam expandir ao máximo seu comércio, pessoas essas chamadas de burguesas.
Os burgueses, então, passaram a ter mais acesso às universidades criadas no Humanismo, de forma que aprenderam a valorizar mais as artes e a tinham até como símbolo de poder, pois os mais ricos financiavam artistas para criarem obras de arte em suas casas.
Com a literatura todo esse processo também foi relevante. Os autores da época tinham uma visão ampla daquele novo status da sociedade, de forma que em Portugal a inspiração foi quase completamente influenciada pela excitação em torno das grandes navegações, pelos novos estudos da mitologia antiga, pelo lento, porém considerável crescimento dos alfabetizados entre os de maiores posses e pelo racionalismo vindo do interesse científico.
Assim a relação entre poder econômico e inspiração artística se tornou estreita, e é de extrema importância que se relacione um elemento ao outro, tanto para que se complemente o sentido do primeiro quanto para que se compreenda melhor o segundo.



Produção de textos

Os materiais a seguir são base para as produções textuais, devem ser lidos e analisados com atenção para complementar o conhecimento acerca do tema e orientar o trabalho.

Classicismo - Contexto histórico
Desde o século XIV, a Europa preparava-se para a grande transformação política, econômica e cultural que atingiu sua plenitude nos séculos XV e XVI, assinalando o início dos tempos modernos. Esse período é conhecido como Renascimento.
O teocentrismo medieval cede lugar ao antropocentrismo e à exaltação da natureza humana, pois o homem adquire consciência de sua capacidade realizadora: conquista, inventa, cria, descobre, produz.
O homem do Renascimento identifica na cultura greco-latina os valores da época e passa a cultuá-la. Integra a seu universo artístico os deuses da mitologia grega, com os quais mais se identifica em razão das características humanas de que são dotados. Procura compreender o mundo sob o prisma da razão, e associa ao equilíbrio entre razão e emoção as noções de Beleza, Bem e Verdade.
A concepção estética oriunda do Humanismo e do Renascimento convencionou-se chamar Classicismo, porque clássicos eram os antigos artistas e filósofos greco-latinos dignos de serem estudados nas “classes”.
O Classicismo estendeu-se aos séculos XVI, XVII e XVIII, o que determinou aos historiadores criarem a denominação Época Clássica, que abrangia não apenas o Renascimento, mas também o Barroco e o Arcadismo (este último também conhecido como Neoclassicismo).
MAIA. Português, volume único. 2ª edição. Editora Ática. São Paulo, 2005.


Observe, agora, o quadro Retrato de Ginevra de’ Benci, pintado por Leonardo da Vinci cerca de 1475 - 1476, quando foi financiado pela família Benci.




O soneto era uma forma muito valorizada pelos poetas clássicos, e dentre os portugueses há um papel de destaque para Diogo Bernardes. Leia os versos a seguir, de sua produção:

Soneto
Leandro em noite escura ia rompendo
As altas ondas, delas rodeado
No meio do Helesponto, já cansado,
E o fogo já na torre morto vendo;

E vendo cada vez ir mais crescendo
O bravo vento, e o mar mais levantado;
De suas forças já desconfiado,
Os rogos quis provar, não lhe valendo.

"Ai ondas!" (suspirando começou):
Mas delas, sem lhe mais alento dar,
A fala contrastada, atrás tornou.

"Ai ondas! (outra vez diz) vento, mar,
Não me afogueis, vos rogo, enquanto vou;
Afogai-me depois quando tornar".



Proposta nº1: A partir da análise do texto Classicismo - Contexto histórico, produza um texto descritivo de cerca de 20 linhas explicando como as mudanças ocorridas nos séculos XIV e XVI influenciaram na literatura e nas artes plásticas. Não esqueça de que, quanto mais rico em citações e exemplos, mais bem sustentada é a sua ideia. Se for necessário, leia o texto novamente, organize suas um esquema de argumentos e comece com um parágrafo introdutório contendo o conteúdo principal do texto.



Proposta nº2: Analisando o texto Classicismo - Contexto histórico e o quadro pintado por Leonardo da Vinci, produza um texto argumentativo de cerca de 20 linhas cujo tema seja a valorização das artes pelas classes sociais com maior poder aquisitivo. Pense na realidade dessas classes no contexto histórico e observe a figura no quadro, suas roupas, aparência física e expressão.



Proposta nº3: O Renascimento trouxe novas técnicas e padrões para as artes plásticas, analise a figura Retrato de Ginevra de’ Benci e disserte, em 15 linhas, sobre as principais características da pintura clássica e suas motivações dentro do quadro histórico.



Proposta nº4: A partir da leitura do soneto de Camões, produza um texto dissertativo de cerca de 15 linhas explicando o sentimento do sujeito que narra os versos, falando como sua figura era comum na época em que o soneto foi escrito e como o novo modelo econômico fez surgir navegadores como o personagem.



Proposta nº5: Na pintura de Ginevra, observa-se que o pintor buscou a perfeição nos traços do rosto e corpo da modelo, assim como tentou afirmar sua virtude nas vestes e expressão. Levando em conta essa admiração pela perfeição e a imagem feminina presente nas artes da época, escreva um breve texto expositivo apontando as características da pintura clássica e exemplifique com elementos do quadro.



Proposta nº6: Alguns pesquisadores acreditam que o Retrato de Ginevra d’ Benci tenha sido encomendado pelo embaixador Bernardo Bembo, que nutria um amor platônico pela mulher e também exprimia esse sentimento e sua admiração pelas virtudes da amada em composições poéticas. Escreva um soneto em primeira pessoa dedicado à Ginevra d’ Benci, como se fosse Bernardo Bembo. Não se esqueça que o soneto contém dois quartetos e dois tercetos, e que a relação entre o apaixonado e sua musa, no Classicismo, apesar de poder não ser correspondido, já não era de completa vassalagem.



Proposta nº7: Os poemas épicos eram muito comuns na literatura clássica portuguesa, sendo que os navegadores que passavam por grandes tormentas nos mares eram vistos como figuras heroicas, e suas aventuras eram adornadas com elementos da mitologia grega, como se pode observar no texto sobre o contexto histórico da época e o soneto de Camões. A partir dessa ideia escreva um soneto épico sobre uma longa viagem e os temores que os homens sentiam no mar. O soneto deve conter rimas e musicalidade.



Proposta nº8: Analisando o quadro de Leonardo da Vinci disserte, em 15 linhas, respondendo a seguinte pergunta: por que a maior parte dos retratos do Classicismo é estrelada por pessoas bem vestidas, parecendo sempre ricas? Para responder essa pergunta, relacione esse fato ao contexto histórico do Renascimento.



Proposta nº9: A partir da leitura dos dois textos e da observação do quadro de Leonardo da Vinci, produza um texto explicando, de forma geral, a criação literária do Classicismo, relacionando ao contexto histórico e às outras formas de arte. Não esqueça de expor as principais características do pensamento clássico e das pessoas que encomendavam, das que criavam e do público das produções literárias.



Proposta nº10: Os textos argumentativos são impessoais e devem conter, como o nome já diz, argumentos para que se sustente a ideia defendida. Escreva um breve texto argumentativo, com introdução, desenvolvimento e conclusão, explicando a importância do financiamento das artes pelos mais ricos na Era Clássica, assim como sua importância na história geral da literatura e da pintura.




Conclusão

De fato a produção de textos com alguns materiais de base são formas importantes tanto na assimilação dos conteúdos na literatura quanto para que se produza com esse novo conhecimento adquirido. Assim os professores e instrutores podem incentivar novos escritores, fazendo, hoje, um papel semelhante ao dos financiadores da Era Clássica, pois em cada momento da história há uma ou mais motivações para a arte produzida e esta é fortemente influenciada pelos sujeitos relacionados a ela.







Referências

MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 27ª edição. Editora Cultrix, São Paulo, 1968.

MAIA. Português, volume único. 2ª edição. Editora Ática. São Paulo, 2005.

RETRATO de Ginevra d’ Benci. Disponível em < http://upload.wikimedia.org/ wikipedia/commons/9/98/Ginevra_de%27_Benci.jpg> Acesso em 10 de novembro de 2013.


Poder econômico e inspiração artística no Renascimento

A partir da Baixa Idade Média a sociedade europeia quase em sua totalidade passou a sofrer mudanças organizacionais e econômicas, e tais mudanças levaram a população à realidade do Renascimento, em que os burgos adquiriam poder, a Igreja perdera parte de sua soberania e os comércios passaram a ser mais relevantes em relação ao antigo sistema em que a agricultura era o principal meio de sobrevivência.
Tais mudanças influenciaram as diferentes classes sociais e deram ênfases diferentes ao poder econômico. Se na maior parte da Idade Média obtinham poder aqueles que possuíam terras, os nobres e clérigos, o que tornava o povo submisso e sem condição alguma ascensão, no Renascimento o poder estava nas mãos dos comerciantes e daqueles que buscavam expandir ao máximo seu comércio, pessoas essas chamadas de burguesas.
Os burgueses, então, passaram a ter mais acesso às universidades criadas no Humanismo, de forma que aprenderam a valorizar mais as artes e a tinham até como símbolo de poder, pois os mais ricos financiavam artistas para criarem obras de arte em suas casas.
Com a literatura todo esse processo também foi relevante. Os autores da época tinham uma visão ampla daquele novo status da sociedade, de forma que em Portugal a inspiração foi quase completamente influenciada pela excitação em torno das grandes navegações, pelos novos estudos da mitologia antiga, pelo lento, porém considerável crescimento dos alfabetizados entre os de maiores posses e pelo racionalismo vindo do interesse científico.
Assim a relação entre poder econômico e inspiração artística se tornou estreita, e é de extrema importância que se relacione um elemento ao outro, tanto para que se complemente o sentido do primeiro quanto para que se compreenda melhor o segundo.



Produção de textos

Os materiais a seguir são base para as produções textuais, devem ser lidos e analisados com atenção para complementar o conhecimento acerca do tema e orientar o trabalho.

Classicismo - Contexto histórico
Desde o século XIV, a Europa preparava-se para a grande transformação política, econômica e cultural que atingiu sua plenitude nos séculos XV e XVI, assinalando o início dos tempos modernos. Esse período é conhecido como Renascimento.
O teocentrismo medieval cede lugar ao antropocentrismo e à exaltação da natureza humana, pois o homem adquire consciência de sua capacidade realizadora: conquista, inventa, cria, descobre, produz.
O homem do Renascimento identifica na cultura greco-latina os valores da época e passa a cultuá-la. Integra a seu universo artístico os deuses da mitologia grega, com os quais mais se identifica em razão das características humanas de que são dotados. Procura compreender o mundo sob o prisma da razão, e associa ao equilíbrio entre razão e emoção as noções de Beleza, Bem e Verdade.
A concepção estética oriunda do Humanismo e do Renascimento convencionou-se chamar Classicismo, porque clássicos eram os antigos artistas e filósofos greco-latinos dignos de serem estudados nas “classes”.
O Classicismo estendeu-se aos séculos XVI, XVII e XVIII, o que determinou aos historiadores criarem a denominação Época Clássica, que abrangia não apenas o Renascimento, mas também o Barroco e o Arcadismo (este último também conhecido como Neoclassicismo).
MAIA. Português, volume único. 2ª edição. Editora Ática. São Paulo, 2005.


Observe, agora, o quadro Retrato de Ginevra de’ Benci, pintado por Leonardo da Vinci cerca de 1475 - 1476, quando foi financiado pela família Benci.




O soneto era uma forma muito valorizada pelos poetas clássicos, e dentre os portugueses há um papel de destaque para Diogo Bernardes. Leia os versos a seguir, de sua produção:

Soneto
Leandro em noite escura ia rompendo
As altas ondas, delas rodeado
No meio do Helesponto, já cansado,
E o fogo já na torre morto vendo;

E vendo cada vez ir mais crescendo
O bravo vento, e o mar mais levantado;
De suas forças já desconfiado,
Os rogos quis provar, não lhe valendo.

"Ai ondas!" (suspirando começou):
Mas delas, sem lhe mais alento dar,
A fala contrastada, atrás tornou.

"Ai ondas! (outra vez diz) vento, mar,
Não me afogueis, vos rogo, enquanto vou;
Afogai-me depois quando tornar".



Proposta nº1: A partir da análise do texto Classicismo - Contexto histórico, produza um texto descritivo de cerca de 20 linhas explicando como as mudanças ocorridas nos séculos XIV e XVI influenciaram na literatura e nas artes plásticas. Não esqueça de que, quanto mais rico em citações e exemplos, mais bem sustentada é a sua ideia. Se for necessário, leia o texto novamente, organize suas um esquema de argumentos e comece com um parágrafo introdutório contendo o conteúdo principal do texto.



Proposta nº2: Analisando o texto Classicismo - Contexto histórico e o quadro pintado por Leonardo da Vinci, produza um texto argumentativo de cerca de 20 linhas cujo tema seja a valorização das artes pelas classes sociais com maior poder aquisitivo. Pense na realidade dessas classes no contexto histórico e observe a figura no quadro, suas roupas, aparência física e expressão.



Proposta nº3: O Renascimento trouxe novas técnicas e padrões para as artes plásticas, analise a figura Retrato de Ginevra de’ Benci e disserte, em 15 linhas, sobre as principais características da pintura clássica e suas motivações dentro do quadro histórico.



Proposta nº4: A partir da leitura do soneto de Camões, produza um texto dissertativo de cerca de 15 linhas explicando o sentimento do sujeito que narra os versos, falando como sua figura era comum na época em que o soneto foi escrito e como o novo modelo econômico fez surgir navegadores como o personagem.



Proposta nº5: Na pintura de Ginevra, observa-se que o pintor buscou a perfeição nos traços do rosto e corpo da modelo, assim como tentou afirmar sua virtude nas vestes e expressão. Levando em conta essa admiração pela perfeição e a imagem feminina presente nas artes da época, escreva um breve texto expositivo apontando as características da pintura clássica e exemplifique com elementos do quadro.



Proposta nº6: Alguns pesquisadores acreditam que o Retrato de Ginevra d’ Benci tenha sido encomendado pelo embaixador Bernardo Bembo, que nutria um amor platônico pela mulher e também exprimia esse sentimento e sua admiração pelas virtudes da amada em composições poéticas. Escreva um soneto em primeira pessoa dedicado à Ginevra d’ Benci, como se fosse Bernardo Bembo. Não se esqueça que o soneto contém dois quartetos e dois tercetos, e que a relação entre o apaixonado e sua musa, no Classicismo, apesar de poder não ser correspondido, já não era de completa vassalagem.



Proposta nº7: Os poemas épicos eram muito comuns na literatura clássica portuguesa, sendo que os navegadores que passavam por grandes tormentas nos mares eram vistos como figuras heroicas, e suas aventuras eram adornadas com elementos da mitologia grega, como se pode observar no texto sobre o contexto histórico da época e o soneto de Camões. A partir dessa ideia escreva um soneto épico sobre uma longa viagem e os temores que os homens sentiam no mar. O soneto deve conter rimas e musicalidade.



Proposta nº8: Analisando o quadro de Leonardo da Vinci disserte, em 15 linhas, respondendo a seguinte pergunta: por que a maior parte dos retratos do Classicismo é estrelada por pessoas bem vestidas, parecendo sempre ricas? Para responder essa pergunta, relacione esse fato ao contexto histórico do Renascimento.



Proposta nº9: A partir da leitura dos dois textos e da observação do quadro de Leonardo da Vinci, produza um texto explicando, de forma geral, a criação literária do Classicismo, relacionando ao contexto histórico e às outras formas de arte. Não esqueça de expor as principais características do pensamento clássico e das pessoas que encomendavam, das que criavam e do público das produções literárias.



Proposta nº10: Os textos argumentativos são impessoais e devem conter, como o nome já diz, argumentos para que se sustente a ideia defendida. Escreva um breve texto argumentativo, com introdução, desenvolvimento e conclusão, explicando a importância do financiamento das artes pelos mais ricos na Era Clássica, assim como sua importância na história geral da literatura e da pintura.




Conclusão

De fato a produção de textos com alguns materiais de base são formas importantes tanto na assimilação dos conteúdos na literatura quanto para que se produza com esse novo conhecimento adquirido. Assim os professores e instrutores podem incentivar novos escritores, fazendo, hoje, um papel semelhante ao dos financiadores da Era Clássica, pois em cada momento da história há uma ou mais motivações para a arte produzida e esta é fortemente influenciada pelos sujeitos relacionados a ela.







Referências

MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 27ª edição. Editora Cultrix, São Paulo, 1968.

MAIA. Português, volume único. 2ª edição. Editora Ática. São Paulo, 2005.

RETRATO de Ginevra d’ Benci. Disponível em < http://upload.wikimedia.org/ wikipedia/commons/9/98/Ginevra_de%27_Benci.jpg> Acesso em 10 de novembro de 2013.


A poesia do Simbolismo em Portugal

            O Simbolismo foi o movimento literário iniciado na França e que teve sua primeira aparição em Portugal no ano de 1890, com a publicação de Oaristos, de Eugênio de Castro. Na época uma onda científica e tecnológica se fortificava na Europa, sendo que os autores desse período eram movidos tanto em oposição à objetividade seca do Realismo quanto em oposição ao desenvolvimento que excluía parte grande da sociedade, de forma que as obras literárias simbolistas tentam resgatar a chamada totalidade humana de forma espiritual, que fora esquecida pelo materialismo da burguesia.
Grandes nomes do movimento foram Eugênio de Castro, Camilo Pessanha e Antônio Nobre, cujas poesias imortalizadas carregam figuras de linguagem e o clima melancólico marcante da literatura dessa época, mostrando claramente o que foi o Simbolismo na arte escrita.
Em Amor Verdadeiro, poema de Eugênio de Castro, o eu poético inicia já a primeira estrofe falando sobre a frieza da pessoa amada e da incapacidade de esquecê-la, alegando, em seguida, sua servidão não recompensada, mas fiel. Ao final ele ainda assegura que sabe nunca poder possuir a mulher amada, mas que esse é o verdadeiro amor, pois quem ama com chances de possuir o que quer, não tem o amor colocado em prova. O poema possui dois quartetos e dois tercetos, forma clássica do soneto, muito valorizado pelos poetas do Simbolismo. Também a entonação musical, característica simbolista, é ressaltada por Eugênio nas rimas esquematizadas em ABBA//ABBA//CCD//EED, o que aumenta o tom delicado e submisso do sujeito. A situação relatada expressa um gosto singular pela melancolia do sentimento de amar, a dor das coisas mais importantes da vida e o pessimismo humano.
Camilo Pessanha, no poema Crepuscular, o mais famoso de sua obra, também carrega seus versos de melancolia amorosa. O eu poético tem um contato íntimo com a natureza à sua volta, descrevendo as flores, as aves, e o clima sombrio e de cansaço que o casal sente no ar, envolvidos pelo crepúsculo que sempre fora tão poético, romântico e triste ao mesmo tempo. Nos versos finais também conta o quanto sua amada é delicada, de aparência adoentada e feminina, o que era muito presente no Romantismo e que é resgatado nesse momento, de forma que, mesmo tendo a mulher em seus braços, ainda assim seu existir é sombrio, e o amor desperta sensações que outrora pareceriam negativas. São quatro quartetos rimados em ABBA//CDDC//EFFE//GHHG, que de forma musical e figurativa contrapõem elementos que inspiram felicidade e tristeza, e também a busca por um complemento quase que espiritual das sensações do momento que não é somente físico, mas também transcendente.
Outro soneto de Eugênio de Castro é Numa das margens do saudoso rio, em que o sujeito, não definido se feminino ou masculino, conta a experiência que passou estando em uma margem de um rio observando a outra, vendo como parecia mais bela e agradável. Na outra margem parecia não haver as amarguras da vida, a velhice e o escuro, então o eu poético atravessa a ponte e chega ao lugar tão cobiçado para, entretanto, viver a realidade dali e ter uma melhor vista de onde estava anteriormente, percebendo que havia saído da margem mais bela daquele rio. No final do poema ele se arrepende e tenta voltar, mas a ponte havia sido destruída e não havia mais como fazê-lo. Tais versos, com o esquema rimático tão admirado por Eugênio de Castro ABBA//ABBA//CCD//EED, usa a situação das margens de um rio como metáfora para as situações da vida em que as pessoas não valorizam o que têm, lutam pelo que parecem querer e perdem o que é de real valor. Trata-se de uma busca pelo que é realmente importante, muito presente nas classes menos favorecidas da troca do século XIX para o XX, antimaterialistas e mais espiritualistas, busca essa tratada de forma indireta, apenas sugestiva, pois na literatura da época acreditava-se que a realidade não poderia ser absolutamente retratada com fórmulas feitas, mas sim sugerida e instigada.
O Enterro de Ophelia, poema do também ilustre português Antônio Nobre, trata de outro tema romântico retomado no Simbolismo, a morte. Os primeiros versos contam que Ophelia morreu afogada em um rio e que seu enterro é silencioso, ladeado de árvores e com padres orando. Também fala de suas vestes brancas e de como irá para um convento diferente do qual ninguém retorna, cena adornada pelo enfraquecimento do sol e chegada da lua, que agora será madrinha da mulher, pois o ar noturno expressa melhor a morte. No poema a citação dos padres, do convento e de ninfas, mostra a religiosidade simbolista, o contato racional com o espírito e a dualidade entre o físico e o metafísico. Em forma de soneto, com rimas ABAB//ABAB//CDC//EDE, usa figurações diversas para explicar esse momento fúnebre, principalmente dando vida a seres inanimados como o sol, a lua e os choupos, de forma que o sujeito vivencia e reflete profundamente sobre a morte em contraste com a vida.
Dessa forma, Eugênio de Castro, Antônio nobre e Camilo Pessanha deixam bem claro o que foi o Simbolismo, utilizando composições poéticas e carregando seus versos de musicalidade, de forma que a leitura flui de forma agradável e mais envolvente. Com suas prioridades voltadas às questões humanas da vida, da morte, sentimentos e sonhos, utilizando artimanhas sintáticas e despertando os sentidos humanos, imortalizaram a literatura do Simbolismo em Portugal, representando o povo europeu em uma sociedade desigual e exclusiva, que buscava sobreviver à euforia tecnológica materialista e que se opôs ao estilo pouco delicado e excessivamente objetivo dos movimentos artísticos anteriores. Dessa forma o Simbolismo foi a voz dos oprimidos de uma época injusta, foi a voz do coração apaixonado, do deprimido e, pode-se dizer, a voz do espírito que havia sido esquecido e de todo o universo em contato poético com o ser humano.






Referências

OLIVEIRA, Iranilso Buriti de. Romances de História, História de Romances: o texto literário e os sues usos no cotidiano escolar universitário. 2010. Disponível em <http://www.ch.ufcg.edu.br/arius/01_revistas/v16n1-2/03_arius_v16_n1-2mh_01_ romances_de_história_historia_de_romances.pdf>. Acesso em 17 de outubro de 2013.
LONDERO, Maria Isabel. Entrecruzar de fronteiras, na obra A rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade. 2002. Disponível em: <http://w3.ufsm.br/grpesla/ revista/num3/ass07/pag01.html>. Acesso em 17 de outubro de 2013.
MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 27ª edição. Editora Cultrix, São Paulo, 1968.
AMOR Verdadeiro. Disponível em <http://laosdepoesia.blogspot.com.br/2010/03/ amor-verdadeiro-eugenio-de-castro.html>. Acesso em 20 de outubro de 2013.
EUGÊNIO de Castro. Disponível em <http://letraslinhas.blogspot.com.br/2011/02/ eugenio-de-castro.html>. Acesso em 20 de outubro de 2013.
ENTERRO do Ophelia. Disponível em <http://www.citador.pt/poemas/enterro-de-ophelia-antonio-nobre>. Acesso em 20 de outubro de 2013.


CREPUSCULAR. Disponível em <http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v151.txt>. Acesso em 20 de outubro de 2013.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Simbolismo

     O Simbolismo foi a corrente literária e artística predominante do final do século XIX. Ia contra o cientificismo exagerado da época, contra o materialismo e resgatava características do Romantismo, além de um maior contato com a religiosidade e misticismo.




Contexto histórico
   
  Após a Revolução Industrial a Europa deu início a um grande salto tecnológico, científico e comercial. O materialismo começou a crescer, assim como a desigualdade social, e em meio a muitos conflitos entre os países, parte da sociedade, excluída dos benefícios, passou a ir contra o pensamento realista concreto em busca dos valores humanos realmente importantes.




Características do Simbolismo
    
No livro Português: Linguagens, de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, uma tabela faz exposição clara das principais características da linguagem simbolista:



Simbolismo
Parnasianismo
Subjetivismo
Objetivismo
Linguagem vaga, fluída, que busca sugerir em vez de nomear
Linguagem precisa, objetiva e culta
Abundância de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias e sinestesias
Busca do equilíbrio formal
Cultivo do soneto e de outras formas de composição poética
Preferência pelo soneto
Antimaterialismo, anti-racionalismo
Materialismo, racionalismo
Misticismo, religiosidade
Paganismo greco-latino
Interesse pelas zonas profundas da mente humana e pela loucura
Racionalismo
Pessimismo, dor de existir
Contenção dos sentimentos
Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte
Interesse por temas universais: a natureza, o amor, objetos de arte, a poesia
Retomada de elementos da tradição romântica
Retomada de elementos da tradição clássica





Simbolismo nas artes plásticas

Nas artes plásticas o simbolismo é carregado de cores, imagens religiosas, místicas e expressões dos sentimentos e sonhos humanos.



Odilon Redon - Flores



O Pegasus Negro – Odilon Redon



Moreau - Orpheu




Moreau - Édipo e a Esfinge




Relação com o Romantismo
    
O Simbolismo resgatou várias características românticas, pois os artistas nessa escola literária também se opunham à onda racionalista e científica que, na época, era chamada Iluminismo.
Willam Cereja também coloca essas características em tabela.


Romantismo
Subjetivismo
Espiritualismo
Comparações, metáforas e adjetivação constantes, para dar vazão à fantasia
Natureza que interage com o eu-lírico
Grotesco e sublime se complementam
Cristianismo
Gosto pela noite, pelo mistério
Intuição, imaginação





Início
    
O Simbolismo começou suas primeiras manifestações na França, mas teve seu início marcado em Portugal pela publicação da obra Oaristos, de Eugênio de Castro, em 1890.
    Diante dos conflitos econômicos internos o povo português foi hospitaleiro quanto à nova onda pessimista e ao mesmo tempo sonhadora, de forma que o movimento simbolista teve força nos anos que se seguiram.




Principais autores
   
  Os principais nomes do Simbolismo português são Eugênio de Castro, Antônio Nobre e Camilo Pessanha na poesia e Júlio Dantas no teatro.


Eugênio de Castro
   
  

Eugênio de Castro (4 de março de 1869 – 17 de agosto de 1944), foi poeta e autor da primeira obra simbolista portuguesa, Oaristos.
    Sua obra teve duas fases, sendo que a primeira delas era predominantemente simbolista.






AMOR VERDADEIRO

Tua frieza aumenta o meu desejo:
Fecho os meus olhos para te esquecer,
Mas quanto mais procuro não te ver,
Quanto mais fecho os olhos mais te vejo.
Humildemente, atrás de ti rastejo,
Humildemente, sem te convencer,
Antes sentindo para mim crescer
Dos teus desdéns o frígido cortejo.
Sei que jamais hei-de possuir-te, sei
Que outro, feliz, ditoso como um rei,
Enlaçará teu virgem corpo em flor.
Meu coração no entanto não se cansa,
Amam metade os que amam com esp'rança,
Amar sem esp'rança é o verdadeiro amor.


    A principal característica desse poema é o sentimento do eu-lírico, o amor. Porém, nesse caso o amor não é correspondido, mas mesmo assim o sujeito continua fiel ao que sente.
    Essa visão do interior humano é característica simbolista, pois se volta para o que os poetas da época julgavam realmente importante. Também o pessimismo é presente no soneto de Eugênio de Castro, mas é utilizado como ferramenta para fortalecer o próprio amor.


Camilo Pessanha




Camilo Pessanha (7 de setembro de 1867 – 1 de março de 1925), apesar de viver na China no início do Simbolismo, é considerado principal poeta do movimento em Portugal.






VIDA

Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das liliáceas!
Calquem. Recalquem, não o afogam.
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.
Não as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? Não as afogam.
Olhem o fogo que anda na serra.
É a queimada... Que lumaréu!
Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.
Deixem! Não calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, rebenta além.
_ E se arde tudo? _ Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, é para arder...


    Esse poema é um fragmento da obra Clepsidra, e sua principal característica simbolista está na valorização da natureza, a qual o poeta da época se conectou para buscar o sentido e a valorização da própria vida.
    Os próprios versos fazem a comparação desses dois elementos: vida e natureza, tanto pela beleza quanto aos efeitos da devastação que as duas estão sujeitas.



Antônio Nobre




Antônio Nobre (16 de agosto de 1867 – 18 de março de 1900), poeta, viveu na França durante um determinado período, e foi lá que teve contato com a corrente simbolista. Esse contato deu origem à sua principal obra, , escrita, ainda, em Paris.





SONETO DE ANTÔNIO NOBRE

Meus dias de rapaz, de adolescente, 
Abrem a boca a bocejar, sombrios: 
Deslizam vagarosos, como os Rios, 
Sucedem-se uns aos outros, igualmente.

Nunca desperto de manhã, contente. 
Pálido sempre com os lábios frios, 
Ora, desfiando os meus rosários pios... 
Fora melhor dormir, eternamente!

Mas não ter eu aspirações vivazes, 
E não ter como têm os mais rapazes, 
Olhos boiados em sol, lábio vermelho!

Quero viver, eu sinto-o, mas não posso: 
E não sei, sendo assim enquanto moço, 
O que serei, então, depois de velho. 


    
    Também esse soneto de Antônio Nobre caracteriza o subjetivismo, ou seja, as atenções voltadas ao sujeito. Nesse caso o homem se mostra preocupado com sua juventude que lhe parece sombria em comparação à dos demais rapazes.
     Carregado do tom sombrio da morte e de melancolia, tal soneto simbolista destaca a relação com a segunda fase do Romantismo, o spleen.



Júlio Dantas




Júlio Dantas (19 de maio de 1876 – 25 de maio de 1962), foi o principal representante do teatro simbolista português, com a peça a Ceia dos Cardeais.







FRAGMENTO DE A CEIA DOS CARDEAIS

CARDEAL RUFO  
Envelhecemos tanto!  

CARDEAL GONZAGA, a RUFO  
Estamos tão velhinhos..._  
Já fez sol, para nós.. Sol! Pois não é verdade? 

CARDEAL RUFO, como num sonho  
Sol! 

CARDEAL GONZAGA  
Sol! _ Nós que somos a saudade.  
O pensar que se amou, que se viveu... O amor!  
_ Um tronco envelhecido a cuidar que deu flor! 

Depois, num embevecimento: 
Misterioso monte é neste mundo a vida!  
Todo rosas abrindo, ao galgar na subida,  
E a velhice, ao descer, toda cheia de espinhos...  
_ Ai, tão velhinhos! 


    Apesar de ter se relacionado com a política, Júlio Dantas não foi imune à alguns aspectos do Simbolismo. Mostrou-se contra os preceitos do clero, mas sua obra carrega a volta da religiosidade.
    Também exalta o olhar para a juventude, da importância das coisas simples da vida, o que marca o Simbolismo, mas já possui algumas características do Saudosismo.



Concluindo
    
Pode-se dizer que o Simbolismo foi uma das escolas literárias mais transcendentais, buscando o sentido completo do que é ser humano e deixando de lado as coisas supérfluas e não naturais.
    Sua linguagem representa o que reconhecemos hoje como poesia aflorada, e enfatiza a alegação do próprio Júlio Dantas de que “o que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudoescrevendo pouco.”





Referências

CEREJA, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Português: Linguagens. 1ª edição.  Atual Editora, São Paulo, 2003.

MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 27ª edição. Editora Cultrix, São Paulo, 1968.

TRÊS notas sobre o país misterioso de Gustave Moreau/ Marcel Proust/ Parte I. Disponível em <http://www.patriciatenorio.com.br/?p=3055>. Acesso em 25 de outubro de 2013.

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