quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Poder econômico e inspiração artística no Renascimento

A partir da Baixa Idade Média a sociedade europeia quase em sua totalidade passou a sofrer mudanças organizacionais e econômicas, e tais mudanças levaram a população à realidade do Renascimento, em que os burgos adquiriam poder, a Igreja perdera parte de sua soberania e os comércios passaram a ser mais relevantes em relação ao antigo sistema em que a agricultura era o principal meio de sobrevivência.
Tais mudanças influenciaram as diferentes classes sociais e deram ênfases diferentes ao poder econômico. Se na maior parte da Idade Média obtinham poder aqueles que possuíam terras, os nobres e clérigos, o que tornava o povo submisso e sem condição alguma ascensão, no Renascimento o poder estava nas mãos dos comerciantes e daqueles que buscavam expandir ao máximo seu comércio, pessoas essas chamadas de burguesas.
Os burgueses, então, passaram a ter mais acesso às universidades criadas no Humanismo, de forma que aprenderam a valorizar mais as artes e a tinham até como símbolo de poder, pois os mais ricos financiavam artistas para criarem obras de arte em suas casas.
Com a literatura todo esse processo também foi relevante. Os autores da época tinham uma visão ampla daquele novo status da sociedade, de forma que em Portugal a inspiração foi quase completamente influenciada pela excitação em torno das grandes navegações, pelos novos estudos da mitologia antiga, pelo lento, porém considerável crescimento dos alfabetizados entre os de maiores posses e pelo racionalismo vindo do interesse científico.
Assim a relação entre poder econômico e inspiração artística se tornou estreita, e é de extrema importância que se relacione um elemento ao outro, tanto para que se complemente o sentido do primeiro quanto para que se compreenda melhor o segundo.



Produção de textos

Os materiais a seguir são base para as produções textuais, devem ser lidos e analisados com atenção para complementar o conhecimento acerca do tema e orientar o trabalho.

Classicismo - Contexto histórico
Desde o século XIV, a Europa preparava-se para a grande transformação política, econômica e cultural que atingiu sua plenitude nos séculos XV e XVI, assinalando o início dos tempos modernos. Esse período é conhecido como Renascimento.
O teocentrismo medieval cede lugar ao antropocentrismo e à exaltação da natureza humana, pois o homem adquire consciência de sua capacidade realizadora: conquista, inventa, cria, descobre, produz.
O homem do Renascimento identifica na cultura greco-latina os valores da época e passa a cultuá-la. Integra a seu universo artístico os deuses da mitologia grega, com os quais mais se identifica em razão das características humanas de que são dotados. Procura compreender o mundo sob o prisma da razão, e associa ao equilíbrio entre razão e emoção as noções de Beleza, Bem e Verdade.
A concepção estética oriunda do Humanismo e do Renascimento convencionou-se chamar Classicismo, porque clássicos eram os antigos artistas e filósofos greco-latinos dignos de serem estudados nas “classes”.
O Classicismo estendeu-se aos séculos XVI, XVII e XVIII, o que determinou aos historiadores criarem a denominação Época Clássica, que abrangia não apenas o Renascimento, mas também o Barroco e o Arcadismo (este último também conhecido como Neoclassicismo).
MAIA. Português, volume único. 2ª edição. Editora Ática. São Paulo, 2005.


Observe, agora, o quadro Retrato de Ginevra de’ Benci, pintado por Leonardo da Vinci cerca de 1475 - 1476, quando foi financiado pela família Benci.




O soneto era uma forma muito valorizada pelos poetas clássicos, e dentre os portugueses há um papel de destaque para Diogo Bernardes. Leia os versos a seguir, de sua produção:

Soneto
Leandro em noite escura ia rompendo
As altas ondas, delas rodeado
No meio do Helesponto, já cansado,
E o fogo já na torre morto vendo;

E vendo cada vez ir mais crescendo
O bravo vento, e o mar mais levantado;
De suas forças já desconfiado,
Os rogos quis provar, não lhe valendo.

"Ai ondas!" (suspirando começou):
Mas delas, sem lhe mais alento dar,
A fala contrastada, atrás tornou.

"Ai ondas! (outra vez diz) vento, mar,
Não me afogueis, vos rogo, enquanto vou;
Afogai-me depois quando tornar".



Proposta nº1: A partir da análise do texto Classicismo - Contexto histórico, produza um texto descritivo de cerca de 20 linhas explicando como as mudanças ocorridas nos séculos XIV e XVI influenciaram na literatura e nas artes plásticas. Não esqueça de que, quanto mais rico em citações e exemplos, mais bem sustentada é a sua ideia. Se for necessário, leia o texto novamente, organize suas um esquema de argumentos e comece com um parágrafo introdutório contendo o conteúdo principal do texto.



Proposta nº2: Analisando o texto Classicismo - Contexto histórico e o quadro pintado por Leonardo da Vinci, produza um texto argumentativo de cerca de 20 linhas cujo tema seja a valorização das artes pelas classes sociais com maior poder aquisitivo. Pense na realidade dessas classes no contexto histórico e observe a figura no quadro, suas roupas, aparência física e expressão.



Proposta nº3: O Renascimento trouxe novas técnicas e padrões para as artes plásticas, analise a figura Retrato de Ginevra de’ Benci e disserte, em 15 linhas, sobre as principais características da pintura clássica e suas motivações dentro do quadro histórico.



Proposta nº4: A partir da leitura do soneto de Camões, produza um texto dissertativo de cerca de 15 linhas explicando o sentimento do sujeito que narra os versos, falando como sua figura era comum na época em que o soneto foi escrito e como o novo modelo econômico fez surgir navegadores como o personagem.



Proposta nº5: Na pintura de Ginevra, observa-se que o pintor buscou a perfeição nos traços do rosto e corpo da modelo, assim como tentou afirmar sua virtude nas vestes e expressão. Levando em conta essa admiração pela perfeição e a imagem feminina presente nas artes da época, escreva um breve texto expositivo apontando as características da pintura clássica e exemplifique com elementos do quadro.



Proposta nº6: Alguns pesquisadores acreditam que o Retrato de Ginevra d’ Benci tenha sido encomendado pelo embaixador Bernardo Bembo, que nutria um amor platônico pela mulher e também exprimia esse sentimento e sua admiração pelas virtudes da amada em composições poéticas. Escreva um soneto em primeira pessoa dedicado à Ginevra d’ Benci, como se fosse Bernardo Bembo. Não se esqueça que o soneto contém dois quartetos e dois tercetos, e que a relação entre o apaixonado e sua musa, no Classicismo, apesar de poder não ser correspondido, já não era de completa vassalagem.



Proposta nº7: Os poemas épicos eram muito comuns na literatura clássica portuguesa, sendo que os navegadores que passavam por grandes tormentas nos mares eram vistos como figuras heroicas, e suas aventuras eram adornadas com elementos da mitologia grega, como se pode observar no texto sobre o contexto histórico da época e o soneto de Camões. A partir dessa ideia escreva um soneto épico sobre uma longa viagem e os temores que os homens sentiam no mar. O soneto deve conter rimas e musicalidade.



Proposta nº8: Analisando o quadro de Leonardo da Vinci disserte, em 15 linhas, respondendo a seguinte pergunta: por que a maior parte dos retratos do Classicismo é estrelada por pessoas bem vestidas, parecendo sempre ricas? Para responder essa pergunta, relacione esse fato ao contexto histórico do Renascimento.



Proposta nº9: A partir da leitura dos dois textos e da observação do quadro de Leonardo da Vinci, produza um texto explicando, de forma geral, a criação literária do Classicismo, relacionando ao contexto histórico e às outras formas de arte. Não esqueça de expor as principais características do pensamento clássico e das pessoas que encomendavam, das que criavam e do público das produções literárias.



Proposta nº10: Os textos argumentativos são impessoais e devem conter, como o nome já diz, argumentos para que se sustente a ideia defendida. Escreva um breve texto argumentativo, com introdução, desenvolvimento e conclusão, explicando a importância do financiamento das artes pelos mais ricos na Era Clássica, assim como sua importância na história geral da literatura e da pintura.




Conclusão

De fato a produção de textos com alguns materiais de base são formas importantes tanto na assimilação dos conteúdos na literatura quanto para que se produza com esse novo conhecimento adquirido. Assim os professores e instrutores podem incentivar novos escritores, fazendo, hoje, um papel semelhante ao dos financiadores da Era Clássica, pois em cada momento da história há uma ou mais motivações para a arte produzida e esta é fortemente influenciada pelos sujeitos relacionados a ela.







Referências

MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 27ª edição. Editora Cultrix, São Paulo, 1968.

MAIA. Português, volume único. 2ª edição. Editora Ática. São Paulo, 2005.

RETRATO de Ginevra d’ Benci. Disponível em < http://upload.wikimedia.org/ wikipedia/commons/9/98/Ginevra_de%27_Benci.jpg> Acesso em 10 de novembro de 2013.


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