Simbolismo
O Simbolismo foi a corrente literária e artística predominante do final do século XIX. Ia contra o cientificismo exagerado da época, contra o materialismo e resgatava características do Romantismo, além de um maior contato com a religiosidade e misticismo.
Contexto histórico
Após a Revolução Industrial a Europa deu início a um grande salto tecnológico, científico e comercial. O materialismo começou a crescer, assim como a desigualdade social, e em meio a muitos conflitos entre os países, parte da sociedade, excluída dos benefícios, passou a ir contra o pensamento realista concreto em busca dos valores humanos realmente importantes.
Características do Simbolismo
No livro Português: Linguagens, de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, uma tabela faz exposição clara das principais características da linguagem simbolista:
Simbolismo
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Parnasianismo
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Subjetivismo
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Objetivismo
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Linguagem vaga, fluída, que busca sugerir em vez de nomear
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Linguagem precisa, objetiva e culta
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Abundância de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias e sinestesias
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Busca do equilíbrio formal
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Cultivo do soneto e de outras formas de composição poética
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Preferência pelo soneto
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Antimaterialismo, anti-racionalismo
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Materialismo, racionalismo
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Misticismo, religiosidade
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Paganismo greco-latino
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Interesse pelas zonas profundas da mente humana e pela loucura
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Racionalismo
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Pessimismo, dor de existir
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Contenção dos sentimentos
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Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte
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Interesse por temas universais: a natureza, o amor, objetos de arte, a poesia
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Retomada de elementos da tradição romântica
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Retomada de elementos da tradição clássica
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Simbolismo nas artes plásticas
Nas artes plásticas o simbolismo é carregado de cores, imagens religiosas, místicas e expressões dos sentimentos e sonhos humanos.
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| Odilon Redon - Flores |
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O Pegasus Negro – Odilon Redon
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| Moreau - Orpheu |
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| Moreau - Édipo e a Esfinge |
Relação com o Romantismo
O Simbolismo resgatou várias características românticas, pois os artistas nessa escola literária também se opunham à onda racionalista e científica que, na época, era chamada Iluminismo.
Willam Cereja também coloca essas características em tabela.
Romantismo
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Subjetivismo
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Espiritualismo
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Comparações, metáforas e adjetivação constantes, para dar vazão à fantasia
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Natureza que interage com o eu-lírico
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Grotesco e sublime se complementam
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Cristianismo
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Gosto pela noite, pelo mistério
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Intuição, imaginação
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Início
O Simbolismo começou suas primeiras manifestações na França, mas teve seu início marcado em Portugal pela publicação da obra Oaristos, de Eugênio de Castro, em 1890.
Diante dos conflitos econômicos internos o povo português foi hospitaleiro quanto à nova onda pessimista e ao mesmo tempo sonhadora, de forma que o movimento simbolista teve força nos anos que se seguiram.
Principais autores
Os principais nomes do Simbolismo português são Eugênio de Castro, Antônio Nobre e Camilo Pessanha na poesia e Júlio Dantas no teatro.
Eugênio de Castro
Eugênio de Castro (4 de março de 1869 – 17 de agosto de 1944), foi poeta e autor da primeira obra simbolista portuguesa, Oaristos.
Sua obra teve duas fases, sendo que a primeira delas era predominantemente simbolista.
AMOR VERDADEIRO
Tua frieza aumenta o meu desejo:
Fecho os meus olhos para te esquecer,
Mas quanto mais procuro não te ver,
Quanto mais fecho os olhos mais te vejo.
Humildemente, atrás de ti rastejo,
Humildemente, sem te convencer,
Antes sentindo para mim crescer
Dos teus desdéns o frígido cortejo.
Sei que jamais hei-de possuir-te, sei
Que outro, feliz, ditoso como um rei,
Enlaçará teu virgem corpo em flor.
Meu coração no entanto não se cansa,
Amam metade os que amam com esp'rança,
Amar sem esp'rança é o verdadeiro amor.
A principal característica desse poema é o sentimento do eu-lírico, o amor. Porém, nesse caso o amor não é correspondido, mas mesmo assim o sujeito continua fiel ao que sente.
Essa visão do interior humano é característica simbolista, pois se volta para o que os poetas da época julgavam realmente importante. Também o pessimismo é presente no soneto de Eugênio de Castro, mas é utilizado como ferramenta para fortalecer o próprio amor.
Camilo Pessanha
VIDA
Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das liliáceas!
Calquem. Recalquem, não o afogam.
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.
Não as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? Não as afogam.
Olhem o fogo que anda na serra.
É a queimada... Que lumaréu!
Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.
Deixem! Não calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, rebenta além.
_ E se arde tudo? _ Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, é para arder...
Esse poema é um fragmento da obra Clepsidra, e sua principal característica simbolista está na valorização da natureza, a qual o poeta da época se conectou para buscar o sentido e a valorização da própria vida.
Os próprios versos fazem a comparação desses dois elementos: vida e natureza, tanto pela beleza quanto aos efeitos da devastação que as duas estão sujeitas.
Antônio Nobre
SONETO DE ANTÔNIO NOBRE
Meus dias de rapaz, de adolescente,
Abrem a boca a bocejar, sombrios:
Deslizam vagarosos, como os Rios,
Sucedem-se uns aos outros, igualmente.
Nunca desperto de manhã, contente.
Pálido sempre com os lábios frios,
Ora, desfiando os meus rosários pios...
Fora melhor dormir, eternamente!
Mas não ter eu aspirações vivazes,
E não ter como têm os mais rapazes,
Olhos boiados em sol, lábio vermelho!
Quero viver, eu sinto-o, mas não posso:
E não sei, sendo assim enquanto moço,
O que serei, então, depois de velho.
Também esse soneto de Antônio Nobre caracteriza o subjetivismo, ou seja, as atenções voltadas ao sujeito. Nesse caso o homem se mostra preocupado com sua juventude que lhe parece sombria em comparação à dos demais rapazes.
Carregado do tom sombrio da morte e de melancolia, tal soneto simbolista destaca a relação com a segunda fase do Romantismo, o spleen.
Júlio Dantas
FRAGMENTO DE A CEIA DOS CARDEAIS
CARDEAL RUFO
Envelhecemos tanto!
CARDEAL GONZAGA, a RUFO
Estamos tão velhinhos..._
Já fez sol, para nós.. Sol! Pois não é verdade?
CARDEAL RUFO, como num sonho
Sol!
CARDEAL GONZAGA
Sol! _ Nós que somos a saudade.
O pensar que se amou, que se viveu... O amor!
_ Um tronco envelhecido a cuidar que deu flor!
Depois, num embevecimento:
Misterioso monte é neste mundo a vida!
Todo rosas abrindo, ao galgar na subida,
E a velhice, ao descer, toda cheia de espinhos...
_ Ai, tão velhinhos!
Apesar de ter se relacionado com a política, Júlio Dantas não foi imune à alguns aspectos do Simbolismo. Mostrou-se contra os preceitos do clero, mas sua obra carrega a volta da religiosidade.
Também exalta o olhar para a juventude, da importância das coisas simples da vida, o que marca o Simbolismo, mas já possui algumas características do Saudosismo.
Concluindo
Pode-se dizer que o Simbolismo foi uma das escolas literárias mais transcendentais, buscando o sentido completo do que é ser humano e deixando de lado as coisas supérfluas e não naturais.
Sua linguagem representa o que reconhecemos hoje como poesia aflorada, e enfatiza a alegação do próprio Júlio Dantas de que “o que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco.”
Referências
CEREJA, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Português: Linguagens. 1ª edição. Atual Editora, São Paulo, 2003.
MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 27ª edição. Editora Cultrix, São Paulo, 1968.
TRÊS notas sobre o país misterioso de Gustave Moreau/ Marcel Proust/ Parte I. Disponível em <http://www.patriciatenorio.com.br/?p=3055>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
FICHEIRO: Gustave Moreau Orphée 1865.jpg. Disponível em <https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gustave_Moreau_Orph%C3%A9e_1865.jpg>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
FILE: WLANL - andrevanb - Panneau Décoratif, Odilon Redon, 1902, detail (2).jpg. Disponível em <http://commons.wikimedia.org/wiki/File:WLANL_-_andrevanb_-_Panneau_D%C3%A9coratif,_Odilon_Redon,_1902,_detail_(2).jpg>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
REDON, Odilon. Disponível em <http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/redon/>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
THE Black Pegasus. Disponível em <http://www.wikipaintings.org/en/odilon-redon/the-black-pegasus>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
ALMEIDA de Castro. Disponível em <http://peoplecheck.de/s/eug%C3%A9nio+de+castro+e+almeida>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
SONETO de Eugênio de Castro. Disponível em <http://wwwpoetanarquista.blogspot.com.br/2013/03/soneto-de-eugenio-de-castro.html>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
EUGÊNIO de Castro. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A9nio_de_Castro>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
CAMILO Pessanha. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Camilo_Pessanha>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
VIDA. Disponível em <http://www.citador.pt/poemas/vida-camilo-pessanha>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
POESIA no metrô. Disponível em <http://www.metro.sp.gov.br/cultura-lazer/poesia-metro/camilo-pessanha.aspx>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
POEMAS... Disponível em <http://poesiasentida.blogs.sapo.pt/arquivo/156333.html>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
ANTÔNIO Nobre. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Pereira_Nobre>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
O AMOR em Portugal no século 18. Disponível em <http://www.arqnet.pt/amoremportugal/juliodantas.html>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
JÚLIO Dantas. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_Dantas>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
JÚLIO Dantas. Disponível em <http://www.jornaldepoesia.jor.br/jdantas01.html>. Acesso em 25 de outubro de 2013.
PENSADOR. Info. Disponível em <http://pensador.uol.com.br/autor/julio_dantas/>. Acesso em 25 de outubro de 2013.








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